sexta-feira, outubro 23, 2009

Manias e tiques nervosos

Gosto do que me tira o fôlego.
Venero o improvável.
Almejo o quase impossível.
Meu coração é livre, mesmo amando tanto.
Tenho um ritmo que me complica.
Uma vontade que não passa.
Uma palavra que nunca dorme.
Quer um bom desafio?
Experimente gostar de mim.
Não sou fácil.
Não coleciono (muitos) inimigos.
Quase nunca estou pra ninguém.
Mudo de humor conforme a lua.
Me irrito fácil.
Me desinteresso à toa.
Tenho o desassossego dentro da bolsa.
E um par de asas que nunca deixo.
Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo.
E - sem saber - busco respostas que não encontro aqui.
Ontem, eu perdi um sonho.
E acordei chorando, logo eu que adoro sorrir...
Mas não tem nada, não.
Bonito mesmo é essa coisa da vida:
um dia, quando menos se espera, a gente se supera.
E chega mais perto de ser quem - na verdade - a gente é.

terça-feira, outubro 20, 2009

Uma outra verdade sobre mim

Não, não ofereço perigo algum: sou quieta como folha de outono esquecida entre as páginas de um livro, sou definida e clara como o jarro com a bacia de ágata no canto do quarto - se tomada com cuidado, verto água límpida sobre as mãos para que se possa refrescar o rosto mas, se tocada por dedos bruscos num segundo me estilhaço em cacos, me esfarelo em poeira dourada.

terça-feira, outubro 13, 2009

Uma verdade sobre mim

Algumas vezes eu fiz muito mal para pessoas que me amaram.
Não é paranóia não.
É verdade.
Sou tão talvez neuroticamente individualista que, quando acontece de alguém parecer aos meus olhos uma ameaça a essa individualidade, fico imediatamente cheio de espinhos - e corto relacionamentos com a maior frieza, às vezes firo, sou agressivo e tal.
É preciso acabar com esse medo de ser tocado lá no fundo.
Ou é preciso que alguém me toque profundamente para acabar com isso.

Sobre as cicatrizes

O que marca um ferimento deixado não é o tamanho de sua cicatriz,
é a intensidade e o tempo da dor provocada por ele,
dor esta que um dia cessa e se perde nos momentos raros de felicidade,
mas que insistem em latejar nos dias de chuva.
haaaa...a chuva...
com seu show de luzes, cores e som no céu,
estremecem o peito de qualquer um que por brincadeira do destino
já tenha sofrido cortes profundos...
Mas você, meu caro leitor,
não se deixe enganar pelos sentimentos descritos,
não existe apenas dor nas grandes tempestades
pois depois delas o que fica em mim e de mim
é apenas o essencial e verdadeiro.