terça-feira, agosto 25, 2009

Só, de sozinha...

Minha verdade é que eu sempre estive só de ti e não sabia.
Agora sei: sou só.
Eu e minha liberdade que não sei usar.
Grande responsabilidade da solidão.
Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama.
Quanto a mim, assumo a minha solidão.
Que ás vezes se extasia como diante de fogos de artifício.
Sou só e tenho que viver uma certa glória íntima que na solidão pode se tornar dor.
E a dor, silêncio.
Guardo o seu nome em segredo.
Preciso de segredos para viver.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Rifa-se um coração

Rifa-se um coração quase novo.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado,
muito machucado e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente e que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração.
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece.
Um coração louco o suficiente para se apaixonar.
Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Este coração tantas vezes provocado.Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se um coração que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Que insiste em jamais amadurecer.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um modelo cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar.
Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta.

quarta-feira, agosto 19, 2009

"Por mais que me esforce,
estou entendendo cada vez menos
sobre uma porção de coisas,
devendo atingir a perfeição
no dia em que não entender nada
de coisa alguma".

domingo, agosto 16, 2009

Dia do Solteiro

Uma homenagem merecida a todos os meus amigos solteiros.
Desculpem apenas o atraso, é que ontem eu sai pra comomemorar...

Pois é, você, eu, nós, do bloco-do-eu-sozinho, graças a Deus e à midia, já temos nosso dia prá comemorar!
Aliás, homenagem muito justa, afinal esta vida de restaurantes badalados, barzinhos da moda, saraus, deliveries, fast food e microondas é por demais estressante!

Sem contar os riscos cardíacos, pois o coração do solteiro está sempre aberto a novas aventuras e sobressaltos inevitáveis. Aliás, os solteiros estão sempre na moda porque destroem suas camisas e cuecas nas lavanderias e sabemos que comer pizza fria no café da manhã é o maior exemplo de liberdade deste estado civil. E glorificamos esta condição nos lembrando de grandes exemplos como Sherlock Holmes, Nietsche, Voltaire, Zorro, Batman, Pato Donald, muitos imperadores romanos e quase todos os papas.

e nada como essa pérola de sabedoria:

"fechar a porta e ficar sozinha pode ser uma aventura espantosa"... estamos ou não em boa companhia?

Eu, que a pouco tempo comecei a arrastar minha solidão por ilhas, trilhas, brejos e outros acidentes geográficos, desejo que a liberdade seja usada com muita lucidez, humor e sensibilidade, enriquecendo a vida neste planetinha tão bonito. Afinal, apesar dos desencontros, ser feliz é nosso direito e obrigação!
Merecidas congratulações!

Você tem cumprido com sucesso a nobre missão de movimentar bares e casas noturnas.

Parabéns!

15 de agosto, dia do Solteiro

sábado, agosto 08, 2009

Lucidez Perigosa

Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer, vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que: que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano,
- já me aconteceu antes.

Ser ou não ser? Eis a questão.

Viver em sociedade é um desafio porque às vezes ficamos presos a determinadas normas que nos obrigam a seguir regras limitadoras do nosso ser ou do nosso não-ser...
Quero dizer com isso que nós temos, no mínimo, duas personalidades: a objetiva, que todos ao nosso redor conhece; e a subjetiva...
Em alguns momentos, esta se mostra tão misteriosa que se perguntarmos - Quem somos?
Não saberemos dizer ao certo!!!
Agora de uma coisa eu tenho certeza: sempre devemos ser autênticos, as pessoas precisam nos aceitar pelo que somos e não pelo que parecemos ser...
Aqui reside o eterno conflito da aparência x essência.
E você... O que pensa disso?
Que desafio, hein?"
... Nunca sofra por não ser uma coisa ou por sê-la..."